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A beleza que existe nos detalhes
18/01/2007

Luiz Fernando Vieira
Da Redação

Uma exposição de fotos macro (ou macrofotografias) de Roberto Okamura abre a temporada de exposições deste ano na Galeria de Arte do Sesc Arsenal. Em A Grandeza do Ínfimo, o fotógrafo revela um mundo que dificilmente é percebido a olho nu, mas que através de suas lentes ganha em tamanho, beleza e colorido únicos.

A macrofotografia é um ramo voltado aos pequenos objetos e prima pela atenção aos detalhes. Necessita, portanto, de uma visão apurada do fotógrafo, que tem que enxergar belas imagens onde outras pessoas vêem apenas o trivial. Okamura tem especial predileção por ela, principalmente porque o permite fazer fotos de natureza sem oferecer-lhe grandes obstáculos, ao mesmo tempo em que abre um imenso leque de possibilidades. "Sempre gostei de explorar os detalhes dos animais. É uma parte muito atraente da fotografia".

Okamura conta que gosta muito de fotos de natureza em geral. "Só que o que está mais à mãos no momento são os insetos, que você vê mais comumente", diz. Okamura revela que adoraria fazer imagens de animais selvagens, só que demanda muito mais tempo e investimento. Reclama, por exemplo, do preço para se hospedar em hotéis, por exemplo, da região pantaneira. "É preço para turista estrangeiro", diz.

Para obter os belos flagrantes, ele costuma ir para Chapada dos Guimarães. Gosta de fazer trilha, andar no Cerrado. "No caminho sempre vou observando para ver se acho cenas ou insetos interessantes", descreve. Mas nem sempre as condições são ideais. Okamura lembra que muitas vezes falta luz e o vento prejudica bastante, já que balança muito vegetação. Para contornar em alguns momentos ele usa recursos como o flash. "Mas não gosto muito, prefiro luz natural. É que tem hora que não tem jeito de não usar flash", justifica.

O fotógrafo também prefere trabalhar a luz na hora da fotografia. "O resultado mais natural possível é preferível, mas às vezes um retoque ajuda muito. Desde que seja sutil, nada que modifique as características da foto", alerta. Para conseguir bons resultados, ele se municiou de equipamentos especiais. "Eu tenho lentes específicas para cada situação", frisa. Porém, só isso não basta. O equipamento ajuda, mas tem que dominar bem a técnica, garante.

A exposição A Grandeza do Ínfimo traz cerca de 40 fotos coloridas, em tamanhos grandes, que vão até 60 por 44. "As grandes ampliações são melhores para visualizar os detalhes, apesar do custo ser bem alto", explica. Para contornar esse problema, ele optou por não fazê-las em laboratório fotográfico. Utilizou papel fotográfico e imprimiu em impressora plotter - para grandes dimensões. Do contrário, calcula, sairia quatro vezes mais caro.

A preocupação com os custos tem uma razão. Okamura não obteve patrocínio para a exposição. Apenas a ajuda de uma empresa, a Rímoli, de Mato Grosso do Sul, que já o apoiou em outras oportunidades, além de utilizar suas fotos para as embalagens dos formulários que produz. "Aqui em Cuiabá mesmo não consegui apoio de ninguém. É triste você estar em sua terra e não ter o reconhecimento e o apoio de ninguém", lamenta.

Okamura não entende como um Estado que quer divulgar seu potencial turístico não apóia iniciativas que projetam as belezas locais inclusive para outros países. Hoje muita gente conhece as belezas naturais de Mato Grosso graças ao site que tem e a participação em fóruns de amantes da fotografia na rede mundial de computadores. "Inclusive foi num desses fóruns que eu consegui colocar cinco fotos na exposição Wonders of Dragonflies World (2005), na Sérvia-Montenegro. Por enquanto, o meio de divulgação meu é mais internet mesmo", reforça.

A Grandeza do Ínfimo é a primeira exposição individual de Okamura e traz uma seleção de trabalhos realizados de desde 2002. Mas ele ressalta que começou a fazer fotografias bem antes. Iniciou em 1987 e, a partir de 1990, rumou também para o lado da fotografia subaquática. O autodidata foi premiado com o 1º lugar na categoria Amador no 3º Salão Mato-grossense de Fotografia, em 2001.

Até hoje encara a fotografia como hobby mesmo. No começo, em pleno Japão, produzia muito e imprimia, mas quando voltou para o Brasil acabou tendo que parar por causa do alto custo e da falta de recursos. "Saia muito caro para a realidade da gente". Com o aparecimento das câmeras digitais, ele retomou firme o hobby. É mais barato, justifica. "Eu sempre armazenei as minhas fotos, raramente eu imprimo essas fotos digitais. Só quando tem necessidade mesmo, como no caso dessa exposição", diz.

Okamura, um cuiabano de 39 anos, é autodidata. Informa que leu muitos livros para se inteirar de aspectos técnicos e conhecer a história da fotografia, mas sabe pouco sobre os trabalhos dos grandes mestres e principais nomes da área. O único curso que fez foi um workshop com a fotógrafa de natureza Denise Greco, com quem aperfeiçoou seus conhecimentos de fotografia subaquática. Hoje tem a plena certeza de que esse é seu caminho. Confessa que gostaria de se dedicar mais à fotografia, inclusive tirar seu sustento do registrar a natureza, esteja ela dentro ou fora d"água.

Serviço - A exposição individual de fotografias A Grandeza do Ínfimo, de Roberto Okamura, será aberta hoje e permanece em cartaz até o dia 18 de fevereiro de 2007. Visitas de terça-feira a domingo, das 14h às 21h (terça a sexta) e das 16h às 20h (sábado e domingo). O local é a Galeria de Artes SESC Arsenal - rua 13 de junho, s/n, no Porto. Entrada franca.

Fone: Jornal A Gazeta

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